sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

E o Oscar para o melhor fenómeno vai para ...

50 Sombras de Grey!

    Será que E.L. James suspeitava que a venda dos seus Romances poderia competir com obras associadas aos Óscares ou ao Nobel? Porque na verdade é do que se trata: as 50 Sombras de Grey aliciaram leitores passivos e amantes de cinema amador, espectadores já não demonstravam qualquer interesse  literário ou cinematográfico.

    Com uma  pré-venda de 60 mil bilhetes em cinemas, o fenómeno virou histórico. Nada que se compare à adesão de filmes com nomeações aos Oscars: "Whiplash", "Selma", "A Teoria de Tudo", "O Jogo da Imitação" e "O Grande Hotel Budapeste". Até "Boyhood", que levou 12 anos para sua realização, ficou longe do esperado nas bilheteiras. A exceção que confirma a regra é "Sniper Americano", talvez pela produção de Clint Eastwood, ícone cinematográfico,  e pelo sucesso obtido nos Estados Unidos. Acontece que, este ano, o público ignorou boas interpretações sentindo-se atraído por este blockbuster. O gosto do grande público parece ter ficado bem claro: os nomeados aos Oscares ficaram em espera, ultrapassados pelo drama erótico, 50 Sombras de Grey.

    Segundo a Academia Sueca, constam 198 escritores na lista de candidaturas para Nobel da Literatura deste ano. Apesar do número de candidatos ser reduzido a 20/25 até abril, alguns escritores como  Haruki Murakami, Philip Roth e Joyce Carol Oates são já apontados na lista de finalistas. Nomes ainda no segredo dos Deuses pois a lista de candidatos continua mantida em segredo como nos últimos 50 anos. Ainda assim, esses escritores permanecem nas eruditas estantes e bibliotecas e não nas bancas. Não atingem sucesso e não se tornam fenômeno  pelo erotismo associado, enfatizando  o facto de que a escrita impressa no bestseller de E.L. James jamais atingirá este patamar.

    Fica assim a ideia, de que o fenômeno as 50 Sombras de Grey  não consta nos nomeados para os Óscares e não é nenhum prémio Nobel de Literatura. Apenas um romance entre uma jovem virgem e um empresário de sucesso com problemas de relacionamento humano e que se vinga no sexo. Um produto de marketing com uma  adaptação cinematográfica. No entanto, gostemos ou não, As Cinquenta Sombras de Grey vieram para ficar por uma boa temporada e permanecerão na memória dos adolescentes frenéticos nas filas cinema e nas envergonhadas solteiras que saltavam a secção rosa da revista Maria.