quarta-feira, 8 de abril de 2015

Corre!

Eis o próximo livro da minha Wish List Books : A Confissão da Leoa, Mia Couto (2012)


 "Todas as manhãs a gazela acorda sabendo que tem de correr mais veloz que o leão ou será morta. Todas as manhãs o leão acorda sabendo que deve correr mais rápido que a gazela ou morrerá de fome. Não importa se és um leão ou uma gazela: quando o Sol desponta o melhor é começares a correr.Provérbio africano

terça-feira, 7 de abril de 2015




Sonhe com estrelas, apenas sonhe, 
elas só podem brilhar no céu. 

Não tente deter o vento, 

ele precisa correr por toda parte, 
ele tem pressa de chegar, sabe-se lá aonde. 
As lágrimas?
Não as seque, 
elas precisam correr na minha, 

na sua, em todas as faces. 


O sorriso! 
Esse, você deve segurar, 
não o deixe ir embora, agarre-o! 
Persiga um sonho, 
mas, não o deixe viver sozinho. 
Alimente a sua alma com amor, 
cure as suas feridas com carinho. 
Descubra-se todos os dias, 
deixe-se levar pelas vontades, 
mas, não enlouqueça por elas. 

Abasteça seu coração de fé, 
não a perca nunca. 
Alague seu coração de esperanças, 
mas, não deixe que ele se afogue nelas. 
Se achar que precisa voltar, volte! 
Se perceber que precisa seguir, siga! 
Se estiver tudo errado, comece novamente. 
Se estiver tudo certo, continue. 

Se sentir saudades, mate-as. 
Se perder um amor, não se perca! 
Se o achar, segure-o! 
Circunda-se de rosas, ama, bebe e cala. 
O mais é nada.


    Fernando Pessoa

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Tudo fica e tudo vai.


O que levará o amor a desaparecer?

O amor não é comedido, turba os sentidos.
Uma relação encetada de forma pura, sem ornatos, ingenuamente eterna, pode encobrir-se pelo desgaste do tempo. Mas poderá um amor querer fugir para o inevitável esquecimento, que se reencontra nas memórias do passado? Serão as lembranças compassivas, as que escondem momentos de afecto, superiores às más recordações?

Chamemos memória selectiva, mas a essência está nos bons momentos, sejam eles efemeridades ou constantes. Porque o nosso interior preserva memórias de vivências esquecidas, sorrisos da alma, lágrimas inconsistentes. Embora sejamos postos à prova para salvar uma memória numa luta infrene, o verosímil  está em reaver um amor nas memórias do passado. Um amor pode estar condenado no presente mas ecoa nas memórias intensas e marcantes do passado que, na linha do horizonte, serviram de traço para o futuro. Porque o amor pode nascer e renascer sem nunca morrer. Eclodir ou explodir. Nem que seja um rebento nos locais mais inesperados, onde a memória pode ser extinta mas um regresso às vivências fomenta a saudade. O amor encadeia variados estados de espírito, desde o desespero associado à perda, os romantismos, as comicidades, as inseguranças, as certezas que repentinamente são ceticismo.
Será favorável querer extinguir para sempre a recordação de um momento? É possível, sim. Mas impossível é não saber que todos os momentos menos positivos serviram de aprendizagem, estímulo de mudança, para a redescoberta.  Porque apagar um passado ou uma memória não impede de  nutrir sentimentos um pelo outro, seja na memória prestes a ser perdida, seja nas memórias que estão prestes a conhecer e  no amor que podem vir a recuperar. Entre a realidade presente e a memória do passado, entre a procura de esquecer um amor e recuperá-lo.

Sorriam, sonham e amem. Porque as memórias criam-se para serem relembradas, e porque “O que passou, passou, mas o que passou luzindo, resplandecerá para sempre.” GOETHE

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

E o Oscar para o melhor fenómeno vai para ...

50 Sombras de Grey!

    Será que E.L. James suspeitava que a venda dos seus Romances poderia competir com obras associadas aos Óscares ou ao Nobel? Porque na verdade é do que se trata: as 50 Sombras de Grey aliciaram leitores passivos e amantes de cinema amador, espectadores já não demonstravam qualquer interesse  literário ou cinematográfico.

    Com uma  pré-venda de 60 mil bilhetes em cinemas, o fenómeno virou histórico. Nada que se compare à adesão de filmes com nomeações aos Oscars: "Whiplash", "Selma", "A Teoria de Tudo", "O Jogo da Imitação" e "O Grande Hotel Budapeste". Até "Boyhood", que levou 12 anos para sua realização, ficou longe do esperado nas bilheteiras. A exceção que confirma a regra é "Sniper Americano", talvez pela produção de Clint Eastwood, ícone cinematográfico,  e pelo sucesso obtido nos Estados Unidos. Acontece que, este ano, o público ignorou boas interpretações sentindo-se atraído por este blockbuster. O gosto do grande público parece ter ficado bem claro: os nomeados aos Oscares ficaram em espera, ultrapassados pelo drama erótico, 50 Sombras de Grey.

    Segundo a Academia Sueca, constam 198 escritores na lista de candidaturas para Nobel da Literatura deste ano. Apesar do número de candidatos ser reduzido a 20/25 até abril, alguns escritores como  Haruki Murakami, Philip Roth e Joyce Carol Oates são já apontados na lista de finalistas. Nomes ainda no segredo dos Deuses pois a lista de candidatos continua mantida em segredo como nos últimos 50 anos. Ainda assim, esses escritores permanecem nas eruditas estantes e bibliotecas e não nas bancas. Não atingem sucesso e não se tornam fenômeno  pelo erotismo associado, enfatizando  o facto de que a escrita impressa no bestseller de E.L. James jamais atingirá este patamar.

    Fica assim a ideia, de que o fenômeno as 50 Sombras de Grey  não consta nos nomeados para os Óscares e não é nenhum prémio Nobel de Literatura. Apenas um romance entre uma jovem virgem e um empresário de sucesso com problemas de relacionamento humano e que se vinga no sexo. Um produto de marketing com uma  adaptação cinematográfica. No entanto, gostemos ou não, As Cinquenta Sombras de Grey vieram para ficar por uma boa temporada e permanecerão na memória dos adolescentes frenéticos nas filas cinema e nas envergonhadas solteiras que saltavam a secção rosa da revista Maria.